Parte relevante desse movimento não é turismo. É investimento com intenção de permanência. Uma resolução do Conselho Nacional de Imigração permite que estrangeiros que invistam em imóvel no Brasil, com recursos próprios do exterior, solicitem autorização de residência. É uma via legal pouco conhecida fora do universo imigratório, e que cria uma frente real de atuação para o advogado. O câmbio favorável, a comparação com mercados mais saturados como Miami e o Algarve, e a facilidade relativa dos trâmites brasileiros têm tornado essa rota cada vez mais atrativa.
Uma demanda que raramente chega com esse nome
Se você atua ou pretende atuar com Direito Imigratório, esse cenário ilustra um ponto central da atuação nessa área: a demanda quase nunca chega identificada como demanda imigratória.
Ela chega como uma dúvida sobre compra de imóvel. Como uma pergunta sobre onde declarar imposto. Como um cliente perguntando se pode alugar o apartamento que comprou enquanto não está no país. O advogado que só reconhece uma demanda imigratória quando ela vem rotulada como “preciso de um visto” perde a oportunidade de identificar, no meio dessas perguntas, uma necessidade de assessoria completa, que envolve regularização, planejamento patrimonial e, muitas vezes, orientação sobre as implicações da própria compra do imóvel.
O mesmo raciocínio, na direção oposta
O fluxo inverso segue a mesma lógica. Advogados brasileiros recebem, cada vez com mais frequência, clientes que perguntam sobre trabalhar nos Estados Unidos, sobre levar a família para fora, sobre uma empresa que precisa contratar um profissional estrangeiro. Essas perguntas também não vêm no formato “preciso de um visto H-1B” ou “quero entender o EB-5”. Vêm embrulhadas em decisões de vida, e cabe ao advogado traduzir isso em estratégia jurídica.
Por que isso importa para quem estrutura essa área no escritório
O crescimento desse tipo de demanda, seja de estrangeiros buscando residência no Brasil via investimento, seja de brasileiros buscando oportunidades nos Estados Unidos, reforça algo que discutimos com frequência: a advocacia imigratória não é sobre memorizar categorias de visto. É sobre saber conduzir uma consulta, identificar a real necessidade por trás da pergunta do cliente, e construir uma estratégia que considere todas as variáveis envolvidas, patrimoniais, familiares e profissionais.
Foi esse raciocínio que estruturou o curso Advocacia Migratória Brasil-EUA na Prática, com início em outubro. Ao longo de sete semanas, o programa cobre desde a condução da primeira consulta até os principais caminhos migratórios entre Brasil e Estados Unidos, incluindo planejamento para investidores, mobilidade corporativa e regularização.
Conheça o programa completo: Direito Imigratório Brasil EUA – Academy
Fonte da reportagem citada: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/18/por-que-estrangeiros-estao-comprando-tantos-imoveis-no-brasil.ghtml